quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Liberdade – Primeira apresentação

     Fundamentado no que alguns consideram práxis libertária (interações constantes de pensamentos e de ações libertárias), entende-se que há a necessidade de, inicialmente, serem apresentadas algumas ideias a respeito do que, nesta linha, possa ser compreendida como liberdade.

     Primeiro passo é desfazer ideias errôneas sobre liberdade que foram plantadas - e este "plantio" não é de hoje - por aqueles que têm dificuldade de lidar com a liberdade.

"Aqueles que necessitam exercer controle sobre tudo e sobre todos, têm muita dificuldade para entender os libertários." (Nelson M Silva)


     É importante entender que ser libertário não é aprovar que qualquer coisa seja feita pelo simples fato de haver vontade de fazer. Como vivemos em sociedade, há aspectos individuais e coletivos que necessitam ser considerados.

"A liberdade absoluta existe nos mundos de um só habitante." (Nelson M Silva)

"Eu defino liberdade como o direito de fazer qualquer coisa que não prejudique a outros." (Proudhon)

"A liberdade é, antes de mais, um fato social. A liberdade dos outros aumenta a minha até o infinito." (Bakunin)

     É claro que o pensamento de Proudhon expresso anteriormente é relativo, mas ele consegue nos fazer avançar na compreensão. Já Bakunin aborda a necessidade de considerar a individualidade (não o individualismo) e a coletividade para construir uma ideia de liberdade. É importante destacar que a individualidade é o que caracteriza o ser humano e que a tentativa de anulação dela é, no mínimo, um ato impensado. Portanto, entendo que as livres "dosagens" de individualidade e de coletividade devem ser ajustadas ao contexto, pois a cada condição de espaço-tempo, a conjuntura se modifica. Entendo, também, que é possível considerar essa flexibilidade como um atributo da liberdade.

     Ainda sobre as noções que possamos ter sobre liberdade, no pensamento imediatamente a seguir, Bakunin mostra estruturas presentes no que muitos não terão dificuldades de compreender como liberdade.

"... a liberdade que consiste no completo desenvolvimento de todas as faculdades morais, intelectuais e materiais que estão latentes em cada pessoa..." (Bakunin)


Liberdade e ordem

     Entendo que outro ponto que faz com que aqueles que não estão muito familiarizados com a práxis libertária é a ideia, errônea a meu ver, de que a liberdade gera desordem. Se considerarmos o que foi colocado anteriormente sobre liberdade, por si só, já seria motivo para mostrar que isso não é fato. Mas, é claro, que algo mais pode ser acrescentado para corrigirmos este infundado "plantio".

Para início desta argumentação, serão utilizadas contribuições de Proudhon e de José Saramago:

"Há várias maneiras de conceber a ordem". (Proudhon)

"Anarquia é ordem sem coerção". (Proudhon)

"O caos é uma ordem por decifrar." (Presente no Livro fictício de José Saramago, contido no livro O Homem Duplicado)

     Se há várias maneiras de conceber o que é ordem, passa ser necessário saber a ordem (organização) que está sendo considerada. Alguns defendem que a ordem devida é aquela que permite a espoliação, a violência e a liberdade cerceada, todas sofridas pela população e exercidas, com a "ajuda" daqueles que "comem no prato" deste sistema opressor, por uma minoria que detém poder e riqueza. Em contraponto, há aqueles que consideram que a ordem (organização) se dá sem coerção, sem opressão.


     Ainda sobre ordem, Saramago faz uma colocação muito interessante. Tal colocação, que expõe que caos é uma ordem a ser decifrada, faz sentido se levarmos em consideração que muito do que não era compreendido no passado, passou a ser compreendido mais à frente. Coisas do conhecimento humano que, aliás, é natural e é um processo de várias etapas.

     Enfim, uma das características de um ser libertário – aquele que se pauta pela liberdade - é que este considera que há diferentes formas de entender a vida e que é necessário estar disposto a realizar discussões construtivas sem que haja imposição.

"Só serei verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e mulheres, forem igualmente livres, de modo que quanto mais numerosos forem os homens livres que me rodeiam e quanto mais profunda e maior for a sua liberdade, tanto mais vasta, mais profunda e maior será a minha liberdade". (Bakunin)

"Amar é querer a liberdade, a completa independência do outro; o primeiro ato do verdadeiro amor é a emancipação completa do objeto que se ama; não se pode amar verdadeiramente a não ser alguém perfeitamente livre, independente, não só de todos os demais, mas também e, sobretudo, daquele de quem é amado e a quem ama". (Bakunin)


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